Segunda Insana...
Certos tipos de textos agora farão parte de uma seção chamada "Coisas que só acontecem comigo"; pois como o próprio nome já diz... dispenso maiores explicações.
Existe o tal do Terça Insana não é? Então, o meu primeiro relato do "coisas que só acontecem comigo" é denominado Segunda Insana, pois o primeiro serviu de inspiração para o segundo.
Na manhã de segunda - feira (hoje, agora a pouco) de um dia aparentemente normal, por volta das dez e meia, encontrava-me à frente do computador na advocacia que trabalho, quando entrou de supetão uma figura um tanto estranha. Uma mulher grande, muito grande, não era gorda mas era entroncada; loira com cabelo estilo "Carla Perez na 1º fase", vulgarmente vestida, era um misto de prostituta com travesti. Na verdade só me garanti que tratava-se de uma fêmea quando ouvi sua voz. Mas como não sou uma pessoa preconceituosa atendi com toda educação constumeira:
- Pois não?
Ela falou:
- Quero falar com o Luiz.
- Qual Luiz? Aqui são dois Luizes...rs (eu)
- Ah não sei, o Luiz oras. (ela com cara de entojada)
- Hum, espera aí... (fui chamar o João luiz para ela ver se era com ele)... É esse?
- Não... acho que é o outro... (ela ainda com cara de entojada)
- O outro está em audiência e acho que não volta mais pela manhã. (eu)
- Posso ficar aqui um pouco então? (ela pediu como se estivesse eperando alguém que não fosse o advogado)
- Tudo bem, pode sim. (falei sem suspeitar do que viria pela frente)
Mulher estranha daquele jeito eu nunca tinha visto, ficava me olhando de uma tal forma que eu nem conseguia prestar atenção no que fazia, olhava fixamente e foi ficando vermelha, vermelha... Daí prá variar (é aquela história, quando a gente precisa o chefe sai, pelo menos aqui é sempre assim), prá variar o João colocou o raiban e saiu dizendo que ia na chácara e voltava depois. Continuei disfarçando que trabalhava mas na verdade eu ficava olhando pelo reflexo no computador (qndo a luz bate e da prá enxergar o que se passa atrás) o que ela estava fazendo. De repente ela soltou uma gargalhada e despencou a chorar e a rir simultaneamente! E ria e segurava como debochando de minha humilde pessoa... Fui me irritando com aquilo e perguntei:
- Você está rindo da minha cara???
- Eu não, por que eu ia rir de você se você também é mulher como eu? (ela respondeu isso não me perguntem pq...)
- Não, nada pareceu ser isso. (eu já irritada)
kkkkkkkk, ela despencou de volta e ficava soltando barulhos de risos pelo nariz, e eu com cara de tacho. Daí do nada ela ficou séria e olhou prá sala do Zé que estava na sua direção:
- Moça, pq em vez de vc ficar arrumando aí vc não vai arrumar a sala do advogado? Olha lá que bagunça! Parece que passou um tsunami por lá. (ela falou isso! Com a maior cara de chapada)
- Pq não, meu local de trabalho é aqui, na frente! (respondi pensando que nem tinha bagunça nenhuma na sala dele...)
Ela fechou a cara e como um gorila levantou os ombros e veio em minha direção. Párou. Ficou estaqueada na minha frente me encarando. Encolhi na cadeira e fiz de conta que não era comigo... E ela ficou uns cinco minutos me encarando. Confesso que foram longosssssss cinco minutos.
- Moça quero ver a TV, vc liga prá mim? ( ela pediu)
- Claro! ( peguei o controle e ia ligar...)
Ela se atravessou na minha frente e foi ligando a TV no aparelho mesmo, mas não conseguiu.
Enquanto ela descobria os segredos de um aparelho televisor eu tratei de pedir ajuda no msn para um colega, que caso ela tivesse um rompante ele chamasse a polícia, pq estava realmente difícil fazer qualquer ligação, a mulher estava na espreita...
Não obtendo êxito com o aparelho televisor ela resolveu ficar de quatro na frente do aquário. Enquanto isso atendi uma ligação:
- Têm uma polacona grandona aí dentro? (uma voz masculina me perguntou)
- Tem! Mas quem é? Quem tá falando? (perguntei apavorada)
- Então tá, depois eu falo com vc... (a voz misteirosa desligou sem se identificar)
Fui tomada pelo medo, o que estaria acontecendo? Ela me chamou lá de sua posição:
- Venha ver os peixinhos aqui comigo!
- Não posso, tô vendo daqui! (respondi com medo dela querer minha presença mais próxima, vai que queria enfiar minha cabeça no aquário e me afogar... rs)
A polacona não gostou nem um pouco e levantou-se, dirigiu-se a cadeira e lá ficou me encarando novamente. Eu que não sou burra, não ousei me virar para o computador e dar as costas prá ela, fiquei disfarçando que trabalhava escrevendo (depois fui ver que copiei o conteúdo de um convite na agenda...rs) Mas tudo isso para não perdê-la de vista.
Finalmente o João voltou! Nunca fiquei tão feliz em vê-lo! Mas ele nem imaginava o que se passara. Pior que não tinha como contar prá ele na frente da louca! Disfarçadamente escrevi o que estava ocorrendo e coloquei o bilhete em cima de uma pasta de processo. Levei na sala do João, mandei ler e me retirei. Na recepção a polacona mantinha-se sentada, me observando. O João nada fez, apenas vinha de vez em quando ali prá dar uma atendida.
Passado alguns minutos o Zé chegou. Mais que depressa perguntei prá cidadã:
- Então, é com este Luiz que vc quer falar?
- Ahhh! Nem é esse, me enganei!! (ela respondeu sem graça e mais vermelha que lata de coca-cola)
- Vc precisa de alguma coisa? (inocente do Zé pergunta boiando completamente)
- Não! Acho que ela não precisa de nada!! (eu ficando irritada novamente)
Ela continua onde está, com seu semblante sarcástico. O Zé vai lavar as mãos. Eu pego duas pastas e faço de conta que vou em outra sala para guardá-las, mas no caminho abordo o Zé e o conto resumidamente e sussurrando o problema que tínhamos na recepção. Onze e cinqüenta, faltam dez minutos para fecharmos para o almoço, mas ele vai agilizando o encerramento das atividades:
- João vamos, Ana vamos...
Com uma tremenda sensação de alívio apanho minha bolsa e me apresso. O João vai trancando a porta e precisa pedir para a gorila se retirar:
- Nós temos que fechar, vc quer ficar aí???
- Ele está escondido lá atrás... (ela sai sussurrando esta frase)
Colocamos ela para fora e fechamos. Os dois dirigem-se aos seus respectivos carros enquanto eu sento em minha moto e fico me batendo para fazer pegá-la no tranco. A polacona fica na esquina observando e logo que os dois advogados se vão, ela vem em minha direção com uma cara fantasmagórica. Nesse momento meu desespero não me permite forças suficientes para o pedal da moto; mas quanto mais ela se aproxima minhas forças se apressam e eu finalmente faço a motocicleta funcionar e saio rapidamente. Olho pelo retrovisor e ela fica lá, parada me olhando...
Alguns dias após o episódio insano, uma vizinha dona da lojinha de 1,99 me aborda na rua e me conta sobre a tal mulher, pois ela ficara sabendo que a "polacona" é prostituta e viciada em crak, e pior; que ela fôra presa recentemente por tirar toda a roupa num armarinho e num boteco do bairro em plenas três horas da tarde...
O que pensar de uma situação desta?!...
