terça-feira, 6 de outubro de 2009

Trecho do meu diário de campo (imersão no quilombo - julho de 2009)





"Desde que chegamos o tempo está chuvoso. Trouxemos poucas roupas por causa da dificuldade de acesso a casa em que ficamos. Uma bagagem compacta com um colchão de ar, travesseiro, saco de dormir ou um cobertor, duas calças velhas, poucas meias e roupas íntimas, duas camisetas, uma blusa de lã e uma jaqueta. Além disso, o equipamento e material de trabalho; as poucas sacolas com alimentos não perecíveis e coisas básicas para higiene pessoal. Cada uma veio com um par de tênis e trouxe um par de chinelos.
Na casa cedida a nossa equipe, o conforto é mínimo. Algumas cadeiras plásticas e um banco de madeira. Uma mesa pequena; um fogão de barro sem chaminé; um fogareiro de duas bocas com o gás pelo fim e uma pia. As louças que havíamos trazido da outra vez que com a Dona Maria ficaram, trouxe-nos para usar.
Um primeiro dia de trabalho cansativo, mas tranqüilo, somente uma serrinha íngreme e uns poucos quilômetros caminhados. No dia seguinte, dezesseis quilômetros de caminhada, muita lama amassada e muitos córregos atravessados a pé. Os pés cozidos o dia todo no calçado encharcado. Por sorte os búfalos no caminho só nos observaram. Coceira no corpo e um carrapato encravado.
À noite, em casa; a chuva desaba. O colchão que furou, o sono atrapalhou. O frio no fim da noite aumentou. Por esta noite a professora não passou, estava na cidade recebendo o filho e o marido.
O dia amanheceu; chuvoso. Quatro rostos alternados pelo fresto aberto da porta aguardando ansiosas ora a chuva párar, ora a professora voltar. Nada aconteceu, a chuva não cessou, a professora não voltou e a roupa não secou. A comida controlada era um convite perante a ociosidade. A batata frita foi contada uma a uma. A água estava marrom. O banho foi deixado de lado. O dia acabou chuvoso e melancólico. A noite começou cedo e foi longa.
Sexta-feira sem chuva, o tempo nublado ainda deixava a dúvida. A porta aberta ainda trazia a esperança de a professora aparecer. Nada. Mas no fim da manhã ela e suas visitas surgiram na estradinha e foi só alegria. Estávamos cheirosinhas com o banho de canequinha. A pouca água esquentada para economizar o gás, não permitiu um perfeito enxágüe e as visitas perceberam nosso cheiro de sabonete ainda no corpo.
Este dia quebrou a rotina. Passeio com as crianças na Cleonice e depois a subida no morro do Cruzeiro, um dos pontos mais bonitos já alcançados. Porém a fina garoa e a lama sujavam e umedeciam cada pedacinho ainda limpo ou seco de nossas roupas.
Em casa, nenhuma meia seca, roupas usadas e úmidas já são rotina. Os sapatos molhados já estão prestes a apodrecer e sua utilização nestas condições faz-se necessária. A água turva para beber já não causa mais espanto ou receio. Banho de caneco já é gostoso. Atolar os pés na lama e tomar banho de chuva já se tornou normal. Para dormir, todas as blusas são poucas. Cheiramos fumaça por causa do fogo aceso sem chaminé para esquentar nossos corpos úmidos. Comida ainda tem.”

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

COISAS QUE SÓ ACONTECEM COMIGO...

Segunda Insana...
Certos tipos de textos agora farão parte de uma seção chamada "Coisas que só acontecem comigo"; pois como o próprio nome já diz... dispenso maiores explicações.
Existe o tal do Terça Insana não é? Então, o meu primeiro relato do "coisas que só acontecem comigo" é denominado Segunda Insana, pois o primeiro serviu de inspiração para o segundo.
Na manhã de segunda - feira (hoje, agora a pouco) de um dia aparentemente normal, por volta das dez e meia, encontrava-me à frente do computador na advocacia que trabalho, quando entrou de supetão uma figura um tanto estranha. Uma mulher grande, muito grande, não era gorda mas era entroncada; loira com cabelo estilo "Carla Perez na 1º fase", vulgarmente vestida, era um misto de prostituta com travesti. Na verdade só me garanti que tratava-se de uma fêmea quando ouvi sua voz. Mas como não sou uma pessoa preconceituosa atendi com toda educação constumeira:
- Pois não?
Ela falou:
- Quero falar com o Luiz.
- Qual Luiz? Aqui são dois Luizes...rs (eu)
- Ah não sei, o Luiz oras. (ela com cara de entojada)
- Hum, espera aí... (fui chamar o João luiz para ela ver se era com ele)... É esse?
- Não... acho que é o outro... (ela ainda com cara de entojada)
- O outro está em audiência e acho que não volta mais pela manhã. (eu)
- Posso ficar aqui um pouco então? (ela pediu como se estivesse eperando alguém que não fosse o advogado)
- Tudo bem, pode sim. (falei sem suspeitar do que viria pela frente)
Mulher estranha daquele jeito eu nunca tinha visto, ficava me olhando de uma tal forma que eu nem conseguia prestar atenção no que fazia, olhava fixamente e foi ficando vermelha, vermelha... Daí prá variar (é aquela história, quando a gente precisa o chefe sai, pelo menos aqui é sempre assim), prá variar o João colocou o raiban e saiu dizendo que ia na chácara e voltava depois. Continuei disfarçando que trabalhava mas na verdade eu ficava olhando pelo reflexo no computador (qndo a luz bate e da prá enxergar o que se passa atrás) o que ela estava fazendo. De repente ela soltou uma gargalhada e despencou a chorar e a rir simultaneamente! E ria e segurava como debochando de minha humilde pessoa... Fui me irritando com aquilo e perguntei:
- Você está rindo da minha cara???
- Eu não, por que eu ia rir de você se você também é mulher como eu? (ela respondeu isso não me perguntem pq...)
- Não, nada pareceu ser isso. (eu já irritada)
kkkkkkkk, ela despencou de volta e ficava soltando barulhos de risos pelo nariz, e eu com cara de tacho. Daí do nada ela ficou séria e olhou prá sala do Zé que estava na sua direção:
- Moça, pq em vez de vc ficar arrumando aí vc não vai arrumar a sala do advogado? Olha lá que bagunça! Parece que passou um tsunami por lá. (ela falou isso! Com a maior cara de chapada)
- Pq não, meu local de trabalho é aqui, na frente! (respondi pensando que nem tinha bagunça nenhuma na sala dele...)
Ela fechou a cara e como um gorila levantou os ombros e veio em minha direção. Párou. Ficou estaqueada na minha frente me encarando. Encolhi na cadeira e fiz de conta que não era comigo... E ela ficou uns cinco minutos me encarando. Confesso que foram longosssssss cinco minutos.
- Moça quero ver a TV, vc liga prá mim? ( ela pediu)
- Claro! ( peguei o controle e ia ligar...)
Ela se atravessou na minha frente e foi ligando a TV no aparelho mesmo, mas não conseguiu.
Enquanto ela descobria os segredos de um aparelho televisor eu tratei de pedir ajuda no msn para um colega, que caso ela tivesse um rompante ele chamasse a polícia, pq estava realmente difícil fazer qualquer ligação, a mulher estava na espreita...
Não obtendo êxito com o aparelho televisor ela resolveu ficar de quatro na frente do aquário. Enquanto isso atendi uma ligação:
- Têm uma polacona grandona aí dentro? (uma voz masculina me perguntou)
- Tem! Mas quem é? Quem tá falando? (perguntei apavorada)
- Então tá, depois eu falo com vc... (a voz misteirosa desligou sem se identificar)
Fui tomada pelo medo, o que estaria acontecendo? Ela me chamou lá de sua posição:
- Venha ver os peixinhos aqui comigo!
- Não posso, tô vendo daqui! (respondi com medo dela querer minha presença mais próxima, vai que queria enfiar minha cabeça no aquário e me afogar... rs)
A polacona não gostou nem um pouco e levantou-se, dirigiu-se a cadeira e lá ficou me encarando novamente. Eu que não sou burra, não ousei me virar para o computador e dar as costas prá ela, fiquei disfarçando que trabalhava escrevendo (depois fui ver que copiei o conteúdo de um convite na agenda...rs) Mas tudo isso para não perdê-la de vista.
Finalmente o João voltou! Nunca fiquei tão feliz em vê-lo! Mas ele nem imaginava o que se passara. Pior que não tinha como contar prá ele na frente da louca! Disfarçadamente escrevi o que estava ocorrendo e coloquei o bilhete em cima de uma pasta de processo. Levei na sala do João, mandei ler e me retirei. Na recepção a polacona mantinha-se sentada, me observando. O João nada fez, apenas vinha de vez em quando ali prá dar uma atendida.
Passado alguns minutos o Zé chegou. Mais que depressa perguntei prá cidadã:
- Então, é com este Luiz que vc quer falar?
- Ahhh! Nem é esse, me enganei!! (ela respondeu sem graça e mais vermelha que lata de coca-cola)
- Vc precisa de alguma coisa? (inocente do Zé pergunta boiando completamente)
- Não! Acho que ela não precisa de nada!! (eu ficando irritada novamente)
Ela continua onde está, com seu semblante sarcástico. O Zé vai lavar as mãos. Eu pego duas pastas e faço de conta que vou em outra sala para guardá-las, mas no caminho abordo o Zé e o conto resumidamente e sussurrando o problema que tínhamos na recepção. Onze e cinqüenta, faltam dez minutos para fecharmos para o almoço, mas ele vai agilizando o encerramento das atividades:
- João vamos, Ana vamos...
Com uma tremenda sensação de alívio apanho minha bolsa e me apresso. O João vai trancando a porta e precisa pedir para a gorila se retirar:
- Nós temos que fechar, vc quer ficar aí???
- Ele está escondido lá atrás... (ela sai sussurrando esta frase)
Colocamos ela para fora e fechamos. Os dois dirigem-se aos seus respectivos carros enquanto eu sento em minha moto e fico me batendo para fazer pegá-la no tranco. A polacona fica na esquina observando e logo que os dois advogados se vão, ela vem em minha direção com uma cara fantasmagórica. Nesse momento meu desespero não me permite forças suficientes para o pedal da moto; mas quanto mais ela se aproxima minhas forças se apressam e eu finalmente faço a motocicleta funcionar e saio rapidamente. Olho pelo retrovisor e ela fica lá, parada me olhando...
Alguns dias após o episódio insano, uma vizinha dona da lojinha de 1,99 me aborda na rua e me conta sobre a tal mulher, pois ela ficara sabendo que a "polacona" é prostituta e viciada em crak, e pior; que ela fôra presa recentemente por tirar toda a roupa num armarinho e num boteco do bairro em plenas três horas da tarde...
O que pensar de uma situação desta?!...

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Ana do Lago

Quase uma história inventada, aumentada, mas uma história real.
Segundo dia de aula do segundo semestre do primeiro ano do curso de direito na faculdade nova.
Durante o primeiro semestre, estudávamos no extinto seminário num bairro muito afastado, mas quando retornamos das férias de Julho, nosso curso fôra transferido para a construção nova. Tão nova que só o prédio estava pronto. O caminho para chegar até lá era inacessível. Da avenida principal que dava acesso ao local, entrava-se numa rua de pedras cascalhada, muito íngreme. A poeira cegava. Quanto mais próximo chegávamos, mais distante ficávamos da cidade, dos postes de luz... Passando a favela, caía na rua estreita, sem iluminação, com um cascalho de arrebentar qualquer automóvel. E o lago... Ali na margem direita da rua estreita cascalhada, estava o lago... Sem nehuma proteção. Era simplesmente um lago com sete metros de profundidade.
Ao final da aula, por volta das dez horas e quarenta minutos do dia treze de agosto de dois mil e dois, entro no carro e saio do estacionamento. Na rua estreita, os carros descem enfileirados. A minha frente um fiat uno com duas garotas derrapa e perde a direção, eu desvio para não acertar na porta do carro delas, mas em questão de segundos eu simplesmente estou caindo com meu carro no lago! A pior sensação que vivi em toda minha vida, é como uma piada! Ver-se caindo num lago com carro e tudo não é coisa que aconteça todo dia com qualquer pessoa...
Lá estávamos; eu e o corsa. Literalmente afundando. As rodas traseiras ficaram enterradas no lôdo espesso e a metade e frente estavam submersos. Era tudo muito rápido. Estava em estado de choque mas mantinha-me consciente. A água fria entrava pelos frestos das portas e cobriam meus tornozelos. Olhei pelo retrovisor e um pessoal balançava a mão e gritava para eu sair do carro. Quando tentei abrir a porta não consegui, não destravava. Lembrei de desligar a ignição, mas deu uma pane no circuito elétrico que nem os faróis apagavam. Para completar a desgraça: meu carro era com travas elétricas!!! E nenhum filha da p..... para entrar lá e se tocar que eu não saía de dentro porque não havia como. Comecei a chutar a porta com toda minha força. A porta abriu! Um tanto de água inundou e balancou mais o automóvel, pensei que de vez fosse afundar! Mas não afundou, ficou mais submerso apenas. Saí me segurando na porta e onde estava ainda conseguia ficar com a cabeça fora d'água. E assim como eu saí de lá, minhas coisas foram saindo também... cds, mala, caderno e papéis boiando .... Só peguei minha bolsa antes de sair. No momento da queda, imaginei que estivesse no meio do lago, a sensação era igual uma cena de filme em que o carro cai e afunda rapidamente... Para minha sorte não foi uma cena de filme...
No barro ainda, um colega me puxou pelo braço. Sentei-me na rua e fiquei pasmada tentando me reencontrar . Um professor pediu o telefone dos meus pais e imediatamente ligou em casa. Era aniversário da mãe e estavam familiares todos aguardando minha chegada para cantar parabéns! Quando a mãe recebeu a informação, num primeiro momento achou que eu tivesse caído sozinha no lago, como se alguém tivesse me empurrado ou tivesse tentado nadar um pouquinho... Muito apropriado o local, o horário e as condições para alguém nadar no lago da faculdade.... rs. Quando ela soube que o carro tinha caído junto, mais que depressa acionou o seguro, o guincho e meu pai agilizou-se. Em dez minutos ele estava lá com caminhão e tudo!
A seguradora removou o brinquedinho da água porque alegou que não constituía perca total. Enquanto isso; eu estava sendo abordada pela faculdade inteira, todos queriam conhecer a garota que conseguiu tal proeza! Queriam saber se estava drogada, bêbada ou alterada para tal feito. Um professor mandou todos embora, inclusive eu. Na manhã seguinte resolveríamos tudo,pois eu não me encontrava em condições no momento.
Já em casa, lá pela meia noite e meia, o bolo intacto na mesa. A mãe até esqueceu do aniversário. Em vez de acalmar meus ânimos e tentar me trazer de volta a realidade, ainda escutei poucas e boas!!! Quando se tem um acidente desse grau, de nada adianta perder tempo tentando convencer os outros que não se têm culpa, que a barbeiragem foi alheia.
Na manhã seguinte compareci na faculdade e houve um acordo, deram-me um celular novo para substituir o afogado; material completo; cobriram a franquia do seguro e um carro alugado pelo tempo necessário até o meu sair da oficina. E mais um descontão na mensalidade. Em troca eu deveria evitar comentários com a imprensa e alguns órgãos como polícia, etc... Concordei!
A noite eu estava famosissíma! Mesmo que por tamanha candanguisse, mas era o comentário do ano! Não foi bom ser conhecida desta forma! Hoje é divertido lembrar. Hoje...
Graças ao meu in(a)cidente, voltamos para o antigo prédio de seminário do bairro distante, até que as obras no local novo fossem concluídas, para não colocar mais nenhuma vida em risco. Toda noite, quando chegava na aula, uma frase no quadro como: " Ana Paula, pule no lago com um biquini, não com um carro." Ou : "Corsa - primeiro carro a prova de nado no lago", entre outras... No final de semana, fui numa festa e a cidade inteira estava lá, pior que isso; todos me conheciam como a Ana do Lago... Apelido que até então me acompanha...

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Pense bem antes de desprezar sua comida...



Dá fome só de ver uma foto dessa, então não sei como tem gente que recusa um alimento, ou desperdiça, ou faz pouco caso com a comida.
Dá pena também, claro; mas é completamente hipócrita expressar sua comoção publicamente quanto à situações como esta e continuar mantendo o regime.
Estou com raiva de programas que são verdadeiros lixos culturais, como a global zorra total... O que é aquilo?! Uma jogatina de comida para todos os lados... Lógico que não é só lá que se vê isso.. Mas foi o primeiro exemplo que me veio à cabeça. E ainda os retardados dos telespectadores nem sempre todos abastados, morrem de rir com cenas de patifaria alimentar.
Se liguem! Antes de postar uma foto dessa no orkut e fazer seu comentário solidário, vá na favela mais próxima da sua casa levar uma cesta básica. Eu detesto assistencialismo, mas antes isso do que a falsa imagem de pessoa preocupada com a fome do mundo.
Ana P. de cara...

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

ite, ite, ite, eu tenho sinusite...

A tal da sinusite aparece só prá eu não esquecer que ela existe nos meus "seios paranasais". É uma puta inflamação que se desenvolveu nos ossos da minha face.
Esta noite foi longa, não dormi nada graças à inflamaçãozinha. A "ite" não me deixa mesmo! Ela insiste em me provocar só para ser sempre lembrada...
Mas está cada vez pior. Ela tá ficando bem fodona. Antes ela pegava mais leve. Me trazia só uma cefaléia e uma coriza abundante... Agora ela se desenvolveu e se expandiu. A cada 10 minutos ela explode na região da minha testa me dando um enorme susto e distribui uma dor fulminante por toda minha cabeça, da nuca à mandíbula. É como se a cabeça fosse uma panela de pressão prestes à explodir... Cada movimento é uma dor intensa em um local diferente. E meu nariz dói como se constantemente eu estivesse me afogando em uma piscina (sabe aquela dorzinha quando sem querer deixamos a água entrar pelas narinas?...) Bem esta!!!
E a "ite" está ficando espaçosa, cada vez que ela inventa de aparecer é uma facada na farmácia... Será que a "ite" vai me matar ainda? Pode virar uma septocemia... ui, credo... Mas estou bem mal......................

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Reflexão idiota...

Putz... hoje acordei meia "deprê", me sentindo só. Às vezes estou tão rodeada de pessoas mas sinto-me a pessoa mais solitária do mundo. A vida é uma ilusão, nós somos umas carnes ambulantes e complexas... é esta idéia que tenho dos seres humanos agora, um pedaço de carne ambulante, falante, pensante e complexo... uns pedaços são mais vistosos que outros, uns são mais podres que outros.............. Vivemos num mundo onde as carnes disputam poder, onde as carnes têm medo de serem felizes, onde as carnes são egoístas, onde as carnes exterminam outras carnes, onde poucas carnes dominam tudo, inclusive as outras carnes de classe inferior. Credo que pira com carne, bem que eu fiz em criar o "canto da pira"... E acho que vou virar vegetariana depois dessa minha concepção de ser humano. Mas no fundo isso é real, como pode sermos tão idiotas, tão pequenos e frágeis que não conseguimos fazer nem metade do que queremos durante a nossa vida. Eu queria por exemplo, morar na beira de uma praia agora e estar com quem eu amo.. Eu não posso... Mas porque eu não posso? Porque eu terei que passar por muita coisa para conseguir isso! E se eu conseguir... Mas ainda vou conseguir, eu sou otimista e persistente, não sei se a praia e o amor serão os mesmos, mas o dia que eu conseguir pode ser outra praia e outro amor. Só não quero ser uma carne abatida. Um dia todas as carnes morrem, quando eu morrer quero ser lembrada por alguma coisa legal que eu tenha feito nesse lugar medíocre... Chega por hj....

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Cheiros...

Senti cheiros tão bons hoje... Cheiro é uma ligação com nosso passado, sempre associa-se um cheiro a uma pessoa, situação que vivemos, fase da vida e outras coisas. Eu amo cheiro de loja de móveis, de loja exotérica, de loja de sapatos, de loja de roupas... hum... tão gostosinho que dá vontade de ter uma loja dentro de casa. Tem um cheiro de produto de limpeza mais ou menos parecido com lustra móveis que sempre onde sinto, me lembra o cheirinho de limpeza da casa de uma tia que eu sempre freqüentava na minha infância, e assim desancadeia toda lembrança de que vivemos nesta fase da vida. Cheiro de amaciante de roupas também é um dos meus prediletos, tenho um colega na minha sala que é o cara mais cheiroso que eu já conheci, o Alexandre, pega até mal o meu grude com ele, mas ele tem um cheirinho tão bom de roupa limpinha, cheiro de amaciante (acho que é confort) ahahahahahah... Sento-me na carteira atrás da dele só prá ficar cheirando o menino... daqui uns dias ele não vai mais acreditar que estou interessada só no seu cheiro, hahahahah. Mais um cheiro interessante é cheiro de shampoo do salão, aquele que só o cabeleireiro têm... cheiro de supermercado também é bom... Têm um cheiro tão bom de uma madeira que eu não sei qual é, só sei que é bem de vez em quando que encontro este cheiro por aí e é tão delicioso que me dá uma sensação tão boa quando sinto-o. Adoro cheiro de material escolar novo, do plástico de encapar caderno...hum... Também cheiro de tinta quando se está pintando parede, tão gostosoooo, cheiro de café é melhor que o próprio café... quando chega o fim da tarde e a fome está apertada, vêm aquele cheirinho de café... é um convite à correr a mesa... Cheiro de pão caseiro assando (especialmente o da mãe) é outra tortura... E o the best of! Chocolate, humm, cheiro de ovo de páscoa é maravilhoso! Tem mais cheiros deliciosos que me trazem algum tipo de sensação boa.. no decorrer de meus dias lembrarei para contar ao meu blog...