
"Desde que chegamos o tempo está chuvoso. Trouxemos poucas roupas por causa da dificuldade de acesso a casa em que ficamos. Uma bagagem compacta com um colchão de ar, travesseiro, saco de dormir ou um cobertor, duas calças velhas, poucas meias e roupas íntimas, duas camisetas, uma blusa de lã e uma jaqueta. Além disso, o equipamento e material de trabalho; as poucas sacolas com alimentos não perecíveis e coisas básicas para higiene pessoal. Cada uma veio com um par de tênis e trouxe um par de chinelos.
Na casa cedida a nossa equipe, o conforto é mínimo. Algumas cadeiras plásticas e um banco de madeira. Uma mesa pequena; um fogão de barro sem chaminé; um fogareiro de duas bocas com o gás pelo fim e uma pia. As louças que havíamos trazido da outra vez que com a Dona Maria ficaram, trouxe-nos para usar.
Um primeiro dia de trabalho cansativo, mas tranqüilo, somente uma serrinha íngreme e uns poucos quilômetros caminhados. No dia seguinte, dezesseis quilômetros de caminhada, muita lama amassada e muitos córregos atravessados a pé. Os pés cozidos o dia todo no calçado encharcado. Por sorte os búfalos no caminho só nos observaram. Coceira no corpo e um carrapato encravado.
À noite, em casa; a chuva desaba. O colchão que furou, o sono atrapalhou. O frio no fim da noite aumentou. Por esta noite a professora não passou, estava na cidade recebendo o filho e o marido.
O dia amanheceu; chuvoso. Quatro rostos alternados pelo fresto aberto da porta aguardando ansiosas ora a chuva párar, ora a professora voltar. Nada aconteceu, a chuva não cessou, a professora não voltou e a roupa não secou. A comida controlada era um convite perante a ociosidade. A batata frita foi contada uma a uma. A água estava marrom. O banho foi deixado de lado. O dia acabou chuvoso e melancólico. A noite começou cedo e foi longa.
Sexta-feira sem chuva, o tempo nublado ainda deixava a dúvida. A porta aberta ainda trazia a esperança de a professora aparecer. Nada. Mas no fim da manhã ela e suas visitas surgiram na estradinha e foi só alegria. Estávamos cheirosinhas com o banho de canequinha. A pouca água esquentada para economizar o gás, não permitiu um perfeito enxágüe e as visitas perceberam nosso cheiro de sabonete ainda no corpo.
Este dia quebrou a rotina. Passeio com as crianças na Cleonice e depois a subida no morro do Cruzeiro, um dos pontos mais bonitos já alcançados. Porém a fina garoa e a lama sujavam e umedeciam cada pedacinho ainda limpo ou seco de nossas roupas.
Em casa, nenhuma meia seca, roupas usadas e úmidas já são rotina. Os sapatos molhados já estão prestes a apodrecer e sua utilização nestas condições faz-se necessária. A água turva para beber já não causa mais espanto ou receio. Banho de caneco já é gostoso. Atolar os pés na lama e tomar banho de chuva já se tornou normal. Para dormir, todas as blusas são poucas. Cheiramos fumaça por causa do fogo aceso sem chaminé para esquentar nossos corpos úmidos. Comida ainda tem.”
Na casa cedida a nossa equipe, o conforto é mínimo. Algumas cadeiras plásticas e um banco de madeira. Uma mesa pequena; um fogão de barro sem chaminé; um fogareiro de duas bocas com o gás pelo fim e uma pia. As louças que havíamos trazido da outra vez que com a Dona Maria ficaram, trouxe-nos para usar.
Um primeiro dia de trabalho cansativo, mas tranqüilo, somente uma serrinha íngreme e uns poucos quilômetros caminhados. No dia seguinte, dezesseis quilômetros de caminhada, muita lama amassada e muitos córregos atravessados a pé. Os pés cozidos o dia todo no calçado encharcado. Por sorte os búfalos no caminho só nos observaram. Coceira no corpo e um carrapato encravado.
À noite, em casa; a chuva desaba. O colchão que furou, o sono atrapalhou. O frio no fim da noite aumentou. Por esta noite a professora não passou, estava na cidade recebendo o filho e o marido.
O dia amanheceu; chuvoso. Quatro rostos alternados pelo fresto aberto da porta aguardando ansiosas ora a chuva párar, ora a professora voltar. Nada aconteceu, a chuva não cessou, a professora não voltou e a roupa não secou. A comida controlada era um convite perante a ociosidade. A batata frita foi contada uma a uma. A água estava marrom. O banho foi deixado de lado. O dia acabou chuvoso e melancólico. A noite começou cedo e foi longa.
Sexta-feira sem chuva, o tempo nublado ainda deixava a dúvida. A porta aberta ainda trazia a esperança de a professora aparecer. Nada. Mas no fim da manhã ela e suas visitas surgiram na estradinha e foi só alegria. Estávamos cheirosinhas com o banho de canequinha. A pouca água esquentada para economizar o gás, não permitiu um perfeito enxágüe e as visitas perceberam nosso cheiro de sabonete ainda no corpo.
Este dia quebrou a rotina. Passeio com as crianças na Cleonice e depois a subida no morro do Cruzeiro, um dos pontos mais bonitos já alcançados. Porém a fina garoa e a lama sujavam e umedeciam cada pedacinho ainda limpo ou seco de nossas roupas.
Em casa, nenhuma meia seca, roupas usadas e úmidas já são rotina. Os sapatos molhados já estão prestes a apodrecer e sua utilização nestas condições faz-se necessária. A água turva para beber já não causa mais espanto ou receio. Banho de caneco já é gostoso. Atolar os pés na lama e tomar banho de chuva já se tornou normal. Para dormir, todas as blusas são poucas. Cheiramos fumaça por causa do fogo aceso sem chaminé para esquentar nossos corpos úmidos. Comida ainda tem.”
