quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Ana do Lago

Quase uma história inventada, aumentada, mas uma história real.
Segundo dia de aula do segundo semestre do primeiro ano do curso de direito na faculdade nova.
Durante o primeiro semestre, estudávamos no extinto seminário num bairro muito afastado, mas quando retornamos das férias de Julho, nosso curso fôra transferido para a construção nova. Tão nova que só o prédio estava pronto. O caminho para chegar até lá era inacessível. Da avenida principal que dava acesso ao local, entrava-se numa rua de pedras cascalhada, muito íngreme. A poeira cegava. Quanto mais próximo chegávamos, mais distante ficávamos da cidade, dos postes de luz... Passando a favela, caía na rua estreita, sem iluminação, com um cascalho de arrebentar qualquer automóvel. E o lago... Ali na margem direita da rua estreita cascalhada, estava o lago... Sem nehuma proteção. Era simplesmente um lago com sete metros de profundidade.
Ao final da aula, por volta das dez horas e quarenta minutos do dia treze de agosto de dois mil e dois, entro no carro e saio do estacionamento. Na rua estreita, os carros descem enfileirados. A minha frente um fiat uno com duas garotas derrapa e perde a direção, eu desvio para não acertar na porta do carro delas, mas em questão de segundos eu simplesmente estou caindo com meu carro no lago! A pior sensação que vivi em toda minha vida, é como uma piada! Ver-se caindo num lago com carro e tudo não é coisa que aconteça todo dia com qualquer pessoa...
Lá estávamos; eu e o corsa. Literalmente afundando. As rodas traseiras ficaram enterradas no lôdo espesso e a metade e frente estavam submersos. Era tudo muito rápido. Estava em estado de choque mas mantinha-me consciente. A água fria entrava pelos frestos das portas e cobriam meus tornozelos. Olhei pelo retrovisor e um pessoal balançava a mão e gritava para eu sair do carro. Quando tentei abrir a porta não consegui, não destravava. Lembrei de desligar a ignição, mas deu uma pane no circuito elétrico que nem os faróis apagavam. Para completar a desgraça: meu carro era com travas elétricas!!! E nenhum filha da p..... para entrar lá e se tocar que eu não saía de dentro porque não havia como. Comecei a chutar a porta com toda minha força. A porta abriu! Um tanto de água inundou e balancou mais o automóvel, pensei que de vez fosse afundar! Mas não afundou, ficou mais submerso apenas. Saí me segurando na porta e onde estava ainda conseguia ficar com a cabeça fora d'água. E assim como eu saí de lá, minhas coisas foram saindo também... cds, mala, caderno e papéis boiando .... Só peguei minha bolsa antes de sair. No momento da queda, imaginei que estivesse no meio do lago, a sensação era igual uma cena de filme em que o carro cai e afunda rapidamente... Para minha sorte não foi uma cena de filme...
No barro ainda, um colega me puxou pelo braço. Sentei-me na rua e fiquei pasmada tentando me reencontrar . Um professor pediu o telefone dos meus pais e imediatamente ligou em casa. Era aniversário da mãe e estavam familiares todos aguardando minha chegada para cantar parabéns! Quando a mãe recebeu a informação, num primeiro momento achou que eu tivesse caído sozinha no lago, como se alguém tivesse me empurrado ou tivesse tentado nadar um pouquinho... Muito apropriado o local, o horário e as condições para alguém nadar no lago da faculdade.... rs. Quando ela soube que o carro tinha caído junto, mais que depressa acionou o seguro, o guincho e meu pai agilizou-se. Em dez minutos ele estava lá com caminhão e tudo!
A seguradora removou o brinquedinho da água porque alegou que não constituía perca total. Enquanto isso; eu estava sendo abordada pela faculdade inteira, todos queriam conhecer a garota que conseguiu tal proeza! Queriam saber se estava drogada, bêbada ou alterada para tal feito. Um professor mandou todos embora, inclusive eu. Na manhã seguinte resolveríamos tudo,pois eu não me encontrava em condições no momento.
Já em casa, lá pela meia noite e meia, o bolo intacto na mesa. A mãe até esqueceu do aniversário. Em vez de acalmar meus ânimos e tentar me trazer de volta a realidade, ainda escutei poucas e boas!!! Quando se tem um acidente desse grau, de nada adianta perder tempo tentando convencer os outros que não se têm culpa, que a barbeiragem foi alheia.
Na manhã seguinte compareci na faculdade e houve um acordo, deram-me um celular novo para substituir o afogado; material completo; cobriram a franquia do seguro e um carro alugado pelo tempo necessário até o meu sair da oficina. E mais um descontão na mensalidade. Em troca eu deveria evitar comentários com a imprensa e alguns órgãos como polícia, etc... Concordei!
A noite eu estava famosissíma! Mesmo que por tamanha candanguisse, mas era o comentário do ano! Não foi bom ser conhecida desta forma! Hoje é divertido lembrar. Hoje...
Graças ao meu in(a)cidente, voltamos para o antigo prédio de seminário do bairro distante, até que as obras no local novo fossem concluídas, para não colocar mais nenhuma vida em risco. Toda noite, quando chegava na aula, uma frase no quadro como: " Ana Paula, pule no lago com um biquini, não com um carro." Ou : "Corsa - primeiro carro a prova de nado no lago", entre outras... No final de semana, fui numa festa e a cidade inteira estava lá, pior que isso; todos me conheciam como a Ana do Lago... Apelido que até então me acompanha...

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Pense bem antes de desprezar sua comida...



Dá fome só de ver uma foto dessa, então não sei como tem gente que recusa um alimento, ou desperdiça, ou faz pouco caso com a comida.
Dá pena também, claro; mas é completamente hipócrita expressar sua comoção publicamente quanto à situações como esta e continuar mantendo o regime.
Estou com raiva de programas que são verdadeiros lixos culturais, como a global zorra total... O que é aquilo?! Uma jogatina de comida para todos os lados... Lógico que não é só lá que se vê isso.. Mas foi o primeiro exemplo que me veio à cabeça. E ainda os retardados dos telespectadores nem sempre todos abastados, morrem de rir com cenas de patifaria alimentar.
Se liguem! Antes de postar uma foto dessa no orkut e fazer seu comentário solidário, vá na favela mais próxima da sua casa levar uma cesta básica. Eu detesto assistencialismo, mas antes isso do que a falsa imagem de pessoa preocupada com a fome do mundo.
Ana P. de cara...

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

ite, ite, ite, eu tenho sinusite...

A tal da sinusite aparece só prá eu não esquecer que ela existe nos meus "seios paranasais". É uma puta inflamação que se desenvolveu nos ossos da minha face.
Esta noite foi longa, não dormi nada graças à inflamaçãozinha. A "ite" não me deixa mesmo! Ela insiste em me provocar só para ser sempre lembrada...
Mas está cada vez pior. Ela tá ficando bem fodona. Antes ela pegava mais leve. Me trazia só uma cefaléia e uma coriza abundante... Agora ela se desenvolveu e se expandiu. A cada 10 minutos ela explode na região da minha testa me dando um enorme susto e distribui uma dor fulminante por toda minha cabeça, da nuca à mandíbula. É como se a cabeça fosse uma panela de pressão prestes à explodir... Cada movimento é uma dor intensa em um local diferente. E meu nariz dói como se constantemente eu estivesse me afogando em uma piscina (sabe aquela dorzinha quando sem querer deixamos a água entrar pelas narinas?...) Bem esta!!!
E a "ite" está ficando espaçosa, cada vez que ela inventa de aparecer é uma facada na farmácia... Será que a "ite" vai me matar ainda? Pode virar uma septocemia... ui, credo... Mas estou bem mal......................

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Reflexão idiota...

Putz... hoje acordei meia "deprê", me sentindo só. Às vezes estou tão rodeada de pessoas mas sinto-me a pessoa mais solitária do mundo. A vida é uma ilusão, nós somos umas carnes ambulantes e complexas... é esta idéia que tenho dos seres humanos agora, um pedaço de carne ambulante, falante, pensante e complexo... uns pedaços são mais vistosos que outros, uns são mais podres que outros.............. Vivemos num mundo onde as carnes disputam poder, onde as carnes têm medo de serem felizes, onde as carnes são egoístas, onde as carnes exterminam outras carnes, onde poucas carnes dominam tudo, inclusive as outras carnes de classe inferior. Credo que pira com carne, bem que eu fiz em criar o "canto da pira"... E acho que vou virar vegetariana depois dessa minha concepção de ser humano. Mas no fundo isso é real, como pode sermos tão idiotas, tão pequenos e frágeis que não conseguimos fazer nem metade do que queremos durante a nossa vida. Eu queria por exemplo, morar na beira de uma praia agora e estar com quem eu amo.. Eu não posso... Mas porque eu não posso? Porque eu terei que passar por muita coisa para conseguir isso! E se eu conseguir... Mas ainda vou conseguir, eu sou otimista e persistente, não sei se a praia e o amor serão os mesmos, mas o dia que eu conseguir pode ser outra praia e outro amor. Só não quero ser uma carne abatida. Um dia todas as carnes morrem, quando eu morrer quero ser lembrada por alguma coisa legal que eu tenha feito nesse lugar medíocre... Chega por hj....

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Cheiros...

Senti cheiros tão bons hoje... Cheiro é uma ligação com nosso passado, sempre associa-se um cheiro a uma pessoa, situação que vivemos, fase da vida e outras coisas. Eu amo cheiro de loja de móveis, de loja exotérica, de loja de sapatos, de loja de roupas... hum... tão gostosinho que dá vontade de ter uma loja dentro de casa. Tem um cheiro de produto de limpeza mais ou menos parecido com lustra móveis que sempre onde sinto, me lembra o cheirinho de limpeza da casa de uma tia que eu sempre freqüentava na minha infância, e assim desancadeia toda lembrança de que vivemos nesta fase da vida. Cheiro de amaciante de roupas também é um dos meus prediletos, tenho um colega na minha sala que é o cara mais cheiroso que eu já conheci, o Alexandre, pega até mal o meu grude com ele, mas ele tem um cheirinho tão bom de roupa limpinha, cheiro de amaciante (acho que é confort) ahahahahahah... Sento-me na carteira atrás da dele só prá ficar cheirando o menino... daqui uns dias ele não vai mais acreditar que estou interessada só no seu cheiro, hahahahah. Mais um cheiro interessante é cheiro de shampoo do salão, aquele que só o cabeleireiro têm... cheiro de supermercado também é bom... Têm um cheiro tão bom de uma madeira que eu não sei qual é, só sei que é bem de vez em quando que encontro este cheiro por aí e é tão delicioso que me dá uma sensação tão boa quando sinto-o. Adoro cheiro de material escolar novo, do plástico de encapar caderno...hum... Também cheiro de tinta quando se está pintando parede, tão gostosoooo, cheiro de café é melhor que o próprio café... quando chega o fim da tarde e a fome está apertada, vêm aquele cheirinho de café... é um convite à correr a mesa... Cheiro de pão caseiro assando (especialmente o da mãe) é outra tortura... E o the best of! Chocolate, humm, cheiro de ovo de páscoa é maravilhoso! Tem mais cheiros deliciosos que me trazem algum tipo de sensação boa.. no decorrer de meus dias lembrarei para contar ao meu blog...

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Desfile de abertura do Festival Regional de Teatro

A Secretaria Municipal de Cultura convida artistas e demais profissionais envolvidos no segmento teatral para participarem do desfile de abertura do 2º Festival Regional de Teatro, no próximo sábado (29), às 11 horas, na Avenida Vicente Machado e Calçadão da Cel. Cláudio.
O objetivo do desfile é realizar uma pequena mostra do que a comunidade poderá esperar do festival, que acontecerá de 1º a 6 de outubro. Estão sendo esperados para a abertura artistas, diretores de teatro, malabares, integrantes de escolas de samba, bailarinos, cenógrafos e profissionais das artes em geral.
Fui convidadaaaaa....... Já preparei meu figurino! Amanhã farei presença.......

quinta-feira, 27 de setembro de 2007



MENINOS DE RUA

Um dia, no mundo de outrora,
a inocência floresceu e perfumou as ruas da cidade...
Os dias de sol, os dias de chuva,
as noites de lua, os céus de estrelas,
as brincadeiras alegres e as travessuras...
Um dia, quase que de repente-
pela indiferença dos homens e dos tempos -,
os pobres meninos de rua,
quais estrelas cadentes, despencaram-se,
rumo à abissalinconsciência do mundo!
E os dias de sol, as noites de lua e os céus de estrelas?
Teriam sido apenas, belos sonhos...
Belos sonhos de um saudoso visionário?